sábado, 10 de setembro de 2011

A HISTÓRIA DO REINO DE SANGO


A HISTÓRIA DO REINO DE SANGO

ADE DE BAYANNI
SANGO

SANGO




ÁFRICA -  A HISTÓRIA DE SANGO


 
 ÁFRICA - A HISTÓRIA DE SANGO
DE ODUDUWÁ A SANGO...
IIê-Ifé: O BERÇO RELIGIOSO DOS YORUBÁ 
A cidade de Ilê-Ifé é considerada pelos yorubás o lugar de origem de suas primeiras tribos. lfé é o berço de toda religião tradicional yorubá (a religião dos Òrìsà, o Candomblé do Brasil),é um lugar  sagrado, onde os deuses ali chegaram, criaram e povoaram o mundo e depois ensinaram aos mortais como os  cultuarem, nos primórdios da civilização. Ilê-Ifé é o "Berço da Terra".
"Em um tempo onde os Deuses e Heróis andavam na terra com os Homens."
Olódùmarè
Olódùmarè o ser superior dos yorubas, que vive num universo paralelo ao nosso, conhecido como Òrún, por isso Ele é também conhecido como Àjàlórún e Olórun "Senhor ou Rei do Òrún", que através dos Òrìsà por Ele criado, resolve incumbir um dos Òrìsà funfun (do branco), Òrínsànlá, (o grande Òrìsà) o primeiro a ser criado, também chamado de Òrìsà-nlá e de Obàtálá, de criar e governar o futuro Àiyé : a Terra, do nosso universo conhecido.
Ele lhe entrega o Àpò-Iwá (a sacola da existência) o qual contém todas as coisas necessárias para a criação, e é aclamado como Aláàbáláàse, "Senhor que tem o poder de sugerir e realizar". Como a tradição mandava, para todos, antes de iniciar a viagem ele foi consultar o oráculo de Ifá, com Òrúnmìlà, outro Òrìsà funfun, e este lhe orientou a fazer alguns sacrifícios a divindade Èsù, mas se ele já era orgulhoso e prepotente,
mais ainda ficou, se recusou e nada fez, mas foi avisado que infortúnios poderiam ocorrer.
 Òrìsànlá, de posse do Àpò-Iwá, põe-se a caminhar pelo Òrún, para chegar à "porta do espaço", até então um vazio, que viria a ser o Àiyé. Ele é o Òrìsà que usa um cajado ritual conhecida como òpásóró, durante o caminho, com muita sede, ele se defronta com o igi-òpé (árvore do dendêzeiro) e com o seu òpásóró, perfura o caule da árvore da qual começa a "jorrar o emu" (vinho de palma), e põe-se a beber, a tal ponto, que cai totalmente embriagado no pé da palmeira e dorme profundamente. O infortúnio começa acontecer.
Odùduwà
Outro Òrìsà funfun, o segundo criado por Olódùmarè, por conceito "irmão mais novo" de Òrìsànlá, ficou enciumado, porque Olódùmarè tinha entregado a Òrìsànlá o Àpò-Iwá, e o estava seguindo pelos caminhos do Òrún, esperando que ele cometesse algum deslize, o que de fato aconteceu. Odùduwà, encontrando-o naquele estado, apodera-se do Àpò-Iwá e leva-o até Olódùmarè, narrando o acontecido, e, por este fato, Olódùmarè delega a Odùduwà o poder de criar o Àiyé e por punição incumbe a Òrìsànlá de
somente criar e modelar os corpos dos seres humanos no Òrún, sob sua supervisão e o proíbe terminantemente de nunca mais beber o emu. Odùduwà, então, cumpre a tradição e faz as obrigações, para se tornar o progenitor dos Yorubas, do Mundo : Olófin Odùduwà, o futuro Àjàlàiyé.
Desde então a relação tempestuosa entre Odùduwà e Obàtálá se perpetuou, ora em disputas, discórdias, controvérsias e de outras formas, mas sempre munindo a eterna rivalidade.

Odùduwà chegando ao Àiyé, cria tudo o que era necessário e delega poderes às divindades que o seguiram, conhecidos como os Àgbà, para governarem a criação, e volta ao Òrún, e só retornaria quando tudo estivesse realmente concluído. Òrìsànlá, que tinha ficado no Òrún com seus seguidores, já tinha moldado corpos suficientes para povoar o inicio do mundo, vai então para o Àiyé, com seus seguidores, os Funfun; fato que ocorre antes da volta de Odùduwà para o Àiyé.
Quando Olófin Odùduwà retorna ao Àiyé, funda a cidade de Ilê-Ifé, e vem a ser o primeiro Oba (rei) do povo yorubano com o titulo de "Oba Óòni", ou seja, o primeiro Óòni de Ifé, e a cidade se torna a morada dos deuses e dos novos seres.

Durante todo este tempo, Odùduwà que já estava casado com Ìyá Olóòkun, divindade feminina, responsável e dona dos mares, tem dois filhos, o primogênito, a divindade Ògún e uma filha de nome Ìsèdélè. O tempo passa, e Odùduwà, que era uma divindade negra, porém albina, incumbe seu filho Ògún de ir para a aldeia de Ògòtún, vizinha de Ifé, conter uma rebelião.
Ògún, divindade negra, senhor do ferro, parte para sua missão e realiza o intento, trazendo consigo Lakanje, filha do rebelde vencido. Ora, Lakanje era espólio de Odùduwà, o Óòni de lfé, portanto intocável, mas Lakanje era muito bela e extremamente sensual e Ògún não resistiu aos seus encantos e com ela teve várias noites de amor, durante sua viagem de volta. Chegando a lfé, ele entrega os espólios da conquista, inclusive Lakanje, a seu pai Odùduwà, que também não resistiu aos lindos encantos da mortal Lakanje e por ela se apaixona e acabaram por casar-se. Ògún nada tinha contado a seu pai dos fatos ocorridos e logo após o casamento Lakanje está grávida, desta gravidez nasce um filho de nome Odéde.
Só que o destino foi fatídico, Odéde nasceu metade negro, como a pele de Ògún e metade branco, como a pele do albino Odùduwà, revelando assim, a traição de Ògún para com a confiança do seu pai, esta situação gerou muita discussão entre Odùduwà e Ògún, mas a principal foi "quem tinha razão", ou, quem teria mais "genes" no filho em comum, Odéde, e cada um se posicionava com a seguinte frase : "a minha palavra triunfou" ou "a minha
palavra é a correta", que aglutinada é Òrànmíyàn e foi assim que ele passou a ser chamado e conhecido.
Com Lakanje, uma das muitas esposas de Odùduwà, ou com outras, teve ou já
tinha mais seis filhos, outros dizem dezesseis, uns, um número maior ainda, enfim, alguns dos filhos destas esposas, geraram as linhagens dos Obas Yorubanos, uns foram os precursores de sete das principais tribos, ou mais, que deram origem à civilização dos yorubas, e religiosamente falando, todos os povos do mundo. Os filhos, netos ou bisnetos de Odùduwà, os deuses, semideuses e/ou heróis, formaram a base da nação yoruba, portanto Olófin Odùduwà Àjàlàiyé é aclamado como     "O Patriarca dos Yorubas".
Obàtálá (Òrìsànlá) ,que também já estava no Àiyé com sua comitiva, mas devido a grande rivalidade com Odùduwà, foi expulso de Ilê-Ifé e funda a cidade de Ìgbò e se torna o primeiro Obà Ìgbò chamado também de Bàbá Ìgbò, pai dos ìgbòs. Numa sociedade polígama, Òrìsànlá é um caso raro de monogamia, pois a divindade Yemowo foi sua única esposa e não tiveram filhos.
Òrànmíyàn
Após grandes vitórias, Òrànmíyàn torna-se o braço direito de seu pai em Ilê-Ifê, pois seus outros irmãos foram povoar regiões distantes, menos Obàlùfan Ògbógbódirin. Odùduwà ordena então que Òrànmíyàn conquiste terras ao norte de Ifé, mas Òrànmíyàn não consegue cumprir a tarefa e sai derrotado e, com vergonha de encarar seu pai, não volta mais a Ifé, com isso funda uma nova cidade e lhe dá o nome de Oyó, tornando-se o primeiro Oba Aláàfin de Oyó. Casado com Morèmi, uma bela mortal ,nativa de Òfà ,que se tornou mais tarde uma heroína em Ilê-Ifé, da qual tem um filho, que recebe o nome de Ajaká. Após algum tempo, Òrànmíyàn investe em novas conquistas e volta a guerrear contra a Nação dos Tapas, onde havia sido derrotado, mas desta vez consegue uma grande vitória sobre Elémpe, na época rei dos Tapas. Por sua derrota, Elémpe entrega-lhe sua filha Torosí, para que se case com ele. Retornando a Oyó, Òrànmíyàn casa-se com Torosí e com ela tem um filho, chamado de Sàngó, um mortal, nascido de uma mãe mortal e um pai
semideus, portanto com ascendentes divinos por parte de pai.
Após este período com inúmeras vitórias, a cidade de Oyó torna-se um poderoso império, Òrànmíyàn, prestigiado e redimido de sua vergonha, volta para Ilê-Ifé, deixando em seu lugar, em Oyó, o príncipe coroado, seu filho Ajaká, que torna-se o segundo Aláàfin de Oyó.
Em uma de suas conquistas, a da cidade de Benin, anterior a fundação de Oyó, Òrànmíyàn termina com a dinastia de Ogìso, o então rei, expulsando-o e assumindo o trono, tornando-se o primeiro Obabínín, e inicia sua dinastia tendo um filho, chamado Èwékà, com uma mulher do local. Antes de
deixar a cidade, ele torna Èwékà como seu sucessor no trono do Benin. (Atual cidade na Nigéria, antigo Reino do Benin, não confundir com a República do Benin, antigo país chamado Daomé.)
Durante sua longa ausência em Ilê-Ifé, Obàlùfan Ògbógbódirin ,seu irmão mais velho, se tornou o segundo Óòni de Ifé, após o reinado de Odùduwà.
Quando Obàlùfan morreu, e ninguém sabia do paradeiro de Òrànmíyàn, o povo de Ifé aclamou Obàlùfan Aláyémore como sucessor direto de seu pai. Quando Òrànmíyàn chega em Ifé, Obàlùfan Aláyémore já reinava como o terceiro Óòni de Ifé, mas com um fraco reinado. Enfurecido com o povo de Ifé que haviam aclamado Aláyémore, e que o tinham chamado para combater possíveis inimigos, o poderoso guerreiro colérico ,comete varias atrocidades e só para quando uma anciã grita desesperada que ele está destruindo seus "próprios filhos", o seu povo. Atônito, ele finca no chão seu asà (escudo) que imediatamente se transforma em uma enorme laje de pedra ,num lugar hoje chamado de "Ìta Alásà" ,e decide ir embora e nunca mais voltar à Ifé.
Quando rumava para fora dos arredores de Ifé ,em Mòpá, foi interceptado pelo povo que o saudavam como Óòni de Ifé e suplicavam por sua volta. Ele então satisfeito e envaidecido ,atende ao povo e finca no chão seu opa (seu bastão de guerreiro) transformando-o em um monólito de granito (ver
Sabendo disso, Obàlùfan Aláyémore abandona o palácio e se exila na cidade de Ìlárá. Òrànmíyàn ascende ao trono e se torna o 4ª Óòni de Ifé até sua morte. Obàlùfan Aláyémore, retorna do exílio e reassume como o 5ª Óòni de Ifé e reina deste vez, com sucesso até a sua morte.
Ajaká
O Aláàfin de Oyó, o Oba Ajaká, meio irmão de Sàngó, era muito pacifico, apático e não realizava um bom governo. Sàngó, que cresceu nas terras dos Tapas ( Nupe), local de origem de Torosí, sua mãe, e mais tarde se instalou na cidade de Kòso, mesmo rejeitado pelo povo por ser violento e incontrolável, mas sendo tirânico, se aclamou como Oba Kòso. Mais tarde, com seus seguidores, se estabeleceu em Oyó, num bairro que recebeu o mesmo nome da cidade que viveu, Kòso e com isso manteve seu titulo de Oba Kòso. Sàngó percebendo a fraqueza de seu irmão e sendo astuto e ávido por poder, destrona Ajaká e torna-se o terceiro Aláàfin de Oyó.
Ajaká, também chamado de Dadá, exilado, sai de Oyó para reinar numa cidade menor, Igboho, vizinha de Oyó, e não poderia mais usar a coroa real de Oyó. E, com vergonha por ter sido deposto, jura que neste seu reinado vai usar uma outra coroa (ade), que lhe cubra seus olhos envergonhados e que somente irá tira-la quando ele puder usar novamente o ade que lhe foi roubado. Esta coroa que Dadá Ajaká passa a usar, é rodeada por vários fios ornados de búzios no lugar das contas preciosas do Ade Real de Oyó, e esta chama-se Ade Bayánni Dadá Ajaká então casa-se e tem um filho que chama-se Aganju, que vem a ser sobrinho de Sàngó.
Sàngó reina durante sete anos sobre Oyó e com intenso remorso das inúmeras atrocidades cometidas e com o povo revoltado, ele abandona o trono de Oyó e se refugia na terra natal de sua mãe em Tapa. Após um tempo, suicida-se, enforcando-se numa árvore chamada de àyòn (àyàn) na cidade de Kòso. Com o fato consumado, Dadá Ajaká volta à Oyó e reassume o trono, retira então o Ade Bayánni e passa a usar o Ade Aláàfin, tornando-se então o quarto Aláàfin de Oyó. Após sua morte, assume o trono seu filho Aganju, neto de Òrànmíyàn e sobrinho de Sàngó, tornando-se o quinto Aláàfin de Oyó.
Com Aganju, termina o primeiro período da formação dos povos yoruba e após seu reinado se dá inicio ao segundo período, o dos reis históricos.  "De Ifé até Oyó, de Odùduwà a Aganju, passando por Sàngó."
Sàngó
O que notamos nesse primeiro período yorubano, é que na realidade, o que se fala de Sàngó, e a sua história nos Candomblés do Brasil, e de outros acima descritos, é incorreto, levando os fiéis a crer em fatos irreais.
Inicialmente, averiguamos que Odùduwà é um Òrìsà funfun masculino e único, é o pai do povo yorubano e não uma simples "qualidade" de Òrìsànlá ou seja, são divindades totalmente distintas, inclusive, não se suportavam, pelos fatos vistos; e que também Ìyá Olóòkun, é um Òrìsà feminino e a Dona do Mar, portanto da água salgada, é quem governa os oceanos e não o Òrìsà Yemojá, "Senhora do rio Yemojá e do rio Ògùn", divindade de água doce, e muito menos mãe de Ògún e de outros filhos Òrìsà à ela atribuídos. Notar a acentuação diferente no nome do Òrìsà Ògún e do rio, pois são palavras distintas.
Quanto a Sàngó, demonstramos que foi um mortal em sua vida no Àiyé, portanto quando morreu, tornou-se um egún, pois seus pais eram mortais. O que ocorreu em sua vida, foi que uma de suas esposas, e a única que o acompanhou em sua fuga de Oyó, era a divindade Oya, loucamente apaixonada por ele, e no instante de sua morte ela o pega com o seu poder de Òrìsà e o conduz diretamente a Olódùmarè, e por insistência de Oya, Ele o "ressuscita" como uma divindade, já que em vida, Oya, perdida de amores, ensina-lhe vários segredos dos Òrìsà, principalmente o segredo do fogo que pertencia somente a Oya, que ela lhe ensina e lhe dá este poder e outros,por paixão.
Esta afirmação é facilmente notada, pois Sàngó é a única divindade do panteão que é assentada de forma material completamente diferente, isto é, em madeira, numa gamela sobre um pilão, sua roupa ritual é composta de várias tiras de panos, coloridas e soltas, caindo sobre as pernas, que
lembra perfeitamente o tipo de roupa usada pelos Bàbá Egúngún (ancestrais) e seu animal preferido para sacrifício é também o mesmo dos egún, dos mortos comum, o carneiro; existe também outras minúcias, que aqui não cabe mencionar.
Nos Candomblés, citam Ajaká e Aganju como sendo "qualidades" de Sàngó, que agora sabemos isto não é possível, pois, Ajaká é seu meio irmão e Aganju é filho de Dadá Ajaká, portanto seu sobrinho, notoriamente pessoas mortais e completamente distintas, que fazem parte da família de Sàngó, mas não tiveram a honra de tornarem-se Òrìsà, mas são ancestrais ilustres. Também no Brasil, faz-se uma cerimônia chamada de "Coroa de Dadá" ou "Adê Baiani". que a coroa é levada ritualmente em uma charola durante as festas do ciclo de Sàngó chamada de Banni ou lyamasse, que representa a mãe de Sàngó. Ora, sabemos que quem usou este ade foi, Ajaká, apelidado de Dadá, de quem Sàngó lhe roubou o trono, e que a mãe de Sàngó foi Torosí, filha de Elémpe, rei dos Tapa, e que ela não tem nenhuma importância teológica, somente histórica, por ter sido mãe de um Aláàfin.
Não estamos desmerecendo e nem tampouco desprestigiando o Òrìsà Sàngó, somente tentamos elucidar fatos notoriamente conhecidos na terra dos Yorubas, sob os aspectos histórico, através da tradição oral, e divino que se convergem e se conservam na grandiosidade de Sàngó.
Fonte - Aulo Barretti Filho
outubro 2010


terça-feira, 6 de setembro de 2011

NOTÍCIAS


Morre presidente da Federação Paraibana de Cultos Africanos

Morreu por volta das 18h desta segunda-feira (5), o presidente da Federação Paraibana de Cultos Africanos, Walter Pereira aos 65 anos.
 Ele estava internado há quase 2 meses no Hospital Memorial São Francisco em João Pessoa, após sofrer complicações cardíacas.
 Walter Pereira era um dos organizadores das homenagens a Iemanjá, a Rainha do Mar.
 Ele atualmente trabalhava na Adminstração do Estado e presidia a Federação Paraibana de Cultos Africanos.
Descanse em paz, que o orum te receba com grande festa

sábado, 3 de setembro de 2011

OLOSSÁ


....OLOSSÁ A IYABÁ DAS LAGOAS E OLOKUN, A SENHORA DOS MARES

OLOKUN [MAR]
 OXUM [RIO]
OLOSSÁ [LAGÔA]
Olossá na mitologia yorubá é a dinvidade das lagoas e é cultuada no Brasil na lagoa do Abaeté,na bahia, juntamente com Iyemonjá que também é um orixá das lagoas.       Como Olokun se tornou a rainha das águas?? conta a lenda que Olokun,senhora das águas, consultou Ifá em uma época em que as águas não eram bastante para que alguém nelas lavasse o rosto.Se alguém recolhesse água em seu leito recolheria também areia porque ela estava pobre de água. Olossá,a senhora das lagoas, também consulta Ifá em uma época em que suas águas não eram o bastante para que algúem nela quisesse lavar os pés, sujar-se-ia de lama e areia,pois havia na lagoa muita pouco água.Olokun e Olossá foram ambas até aos pés de Orummilá rogar-lhe para examinar os seus problemas, e ambas queriam tornar-se as maiores do mundo!!Orummila respondeu que se elas pudessem fazer as oferendas que ele escolheu para elas,suas vidas seriam um sucesso! Ele disse que Olokun deveria oferecer 200 cobertas pretas,200 cobertas brancas, 1 carneiro e 26.ooo búzius da costa,depois ele recomendou a Olossá que fizesse o mesmo.Olokun fez as oferendas, ela empregou tudo que possuía,e até chegou a empregar-se como serva para completar as oferendas.Olossá também fez as oferendas com tudo que possuía,porém suas oferendas não foram completas porque ela não encontrouaonde trabalhar .Oxum , a senhora dos rios, elegante senhora do pente coral,consultou a Ifá no dia que iria conduzir todos os rios,pois os rios não sabiam em que direção seguir,não sabiam se iam para frente ou para atras, e haviam pedido conselhos a Oxum. Ifá respondeu: tú oxum  vai a um certo lugar e neste lugar será  muito bem recebida e os outros rios te seguirão.Nenhum outro rio poderá proceder-te em nenhum lugar onde estiveres presente....Oxum reuniu todos os rios e os rios a seguiram todos juntos.Quando chegaram a beira da lagoa [Olossá] eles cobriram completamente a lagoa e quando chegaram no mar [Olokun] encontraram-se com as águas salgadas e as cobriram,. Foi colocada a questão: quem seria a rainha do mar?? já que os rios junto com as lagoas misturaram-se com o mar? eles discutiam aqui e acolá essa questão, então Olokun disse: não importa, pois o território em que voces se encontram é meu!!! os ânimos ficaram forte e então Olodumarê se manifestou:  A QUE POSSUI TERRITÓRIO É A RAINHA!  com isso Olokun foi por direito a rainha. Olossá disse aos rios que se retirasem de suas terras e de suas águas, mas os rios não encontraram saída por onde passar, e permaneceram na lagoa .Assim sendo, Olossá foi eleita a segunda pessoadepois de Olokun junto com O xum.A cada ano todos os rios vem adora-la, pois foi assim que Olokun e Olossá se tornaram populares na terra e famosa como Oxum  nos mundos dos deuses.

BOM FINAL DE SEMANA A TODOS >>>>


Bom final de semana a todos

A Sabedoria, a Dignidade
e a Esperteza
Já era tarde quando a Sabedoria encerrou as atividades do seu dia. Preparava-se para dormir,quando ouviu que batiam à porta. Vestiu o seu manto e foi atender ao visitante, que parecia nem sentir o frio que fazia àquela hora. Deparou-se então com duas criaturas enigmáticas. A Sabedoria se perguntou o que poderiam querer, depois do anoitecer. A Esperteza foi a primeira a se manifestar. Queria questionar algo que fez a Dignidade estremecer. Por sua natureza, a Esperteza vivia a enganar a todos,enquanto a Dignidade se mostrava preocupada,pois sabia que um dia,a Esperteza poderia se enganar,cometer um erro fatal e nunca mais se modificar.Essa era a questão,que as duas levaram para a Sabedoria avaliar. A Dignidade tinha os seus princípios.Achava que nunca cometera nenhum delito,enquanto a Esperteza,ria-se dela,sem nenhum conflito.A Esperteza se aproveitava de todas as oportunidades e se achava tão esperta,que julgava que ninguém jamais ficaria alerta. Sabia falar bem. Convencia com muita facilidade,enquanto a Dignidade se opunha a toda aquela falsidade.
A Sabedoria,fingindo-se de cega, propôs às duas uma tarefa:
- Que fossem a uma festa e trouxessem a pessoa mais honesta.
A Esperteza logo encontrou a Mentira e com muita sutileza, voltou à casa da Sabedoria.A Dignidade,por sua vez,decidiu que a Honra era a pessoa mais sensata,entre tantas que ela conhecera. E assim,as duas se encontraram face a face com a Sabedoria.
Enquanto a Esperteza fingia ter encontrado a pessoa certa, a Dignidade mantia-se o mais honesta possível.
A Sabedoria olhou as duas e percebeu que a Esperteza estava impaciente. Trazia um saco às costas, que não parava de se contorcer. Parecia que tinha alma e precisava se intrometer, na conversa que a Sabedoria tentava manter.A Esperteza se distraiu por um momento e deixou escapar a Mentira,que se perdeu no mundo e até hoje continua a correr.Então a Sabedoria chamou a Dignidade e com muita Honra,a encarregou de manter o Mundo longe de toda a falsidade,ter cuidado com a Esperteza e se manter com muita dignidade. Tarefa árdua, que a Dignidade se comprometeu a manter. Procedendo assim, poderia conseguir que a Honra enfim, triunfasse onde a Mentira deixasse a pegada de seus passos.... 

Nino D'odé

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

saudades ....

OI PESSOAL, ESTAVA UM POUCO AUSENTE, MAS JA ESTOU DE VOLTA OK. ABRAÇOSSS


Você tem medo de quê?

De dizer não para aquela pessoa querida mesmo sabendo que o sim significa problemas no futuro? 


Você tem medo de quê? 
De admitir que se enganou com uma pessoa, que errou na dose do sentimentalismo e fechou os olhos para a realidade que todos viam? 
Aceitar que o fim de um relacionamento já chegou há muito tempo e você, só você insiste em manter as aparências? 


Você tem medo de quê? 
De falar para a família e os verdadeiros amigos o quanto os ama e, por isso, fica calado imaginando que todo mundo sabe disso? 
De perder o emprego medíocre e, por isso, se submete a tirania de um local que você não se sente bem? 


Você tem medo de quê? 
De aceitar que seu atual estado é reflexo apenas dos seus atos, das suas atitudes, algumas vezes impensadas e feitas de pura ansiedade... 


Você tem medo de quê? 
De sair da capa de vítima e encarar de frente seus sonhos, suas necessidades e descobrir que pode realizá-los? 
De questionar velhos conceitos e mudar tudo para viver melhor? 


Você tem medo de quê?
De aceitar que Deus existe e que nos pede ação sempre, trabalho sempre, boa vontade sempre, perdão sempre, amor sempre. 

Não tenha medo de ser feliz, arrisque-se, aventure-se.
Caiu? Levante-se. 
Errou? Comece de novo. 


Perdoe sempre. 
Esqueça o que passou, construa o hoje, viva o hoje.
Ame-se sempre! 



ASÉ Ô.









O que é mais?

Dar ou estender as mãos?

Quem doa mostra que se despoja de alguma coisa.Quem estende as mãos mostra que quer alcançar alguém.Mas não importa saber qual das duas coisas é mais, e sempre importa saber que dar é um gesto sublime de ser bom e estender as mãos é um gesto de bondade que sublima.

O que é mais?
Levar rosas ou enxugar lágrimas?

Quem leva rosas mostra que lembrou de alguém na felicidade.Quem enxuga lágrimas mostra que não se esqueceu de alguém na infelicidade. Mas não importa saber qual das duas coisas é mais, e sempre importa saber que levar rosas é um gesto de amor que todo mundo faz e enxugar lágrimas é um gesto que só o amor faz a todo mundo.

O que é mais?
Perdoar ou pedir perdão?

Quem pede perdão mostra que ainda crê no amor.Quem perdoa mostra que ainda existe amor para quem crê.Mas não importa saber qual das duas coisas é mais, e sempre importa saber que perdoar é o modo mais sublime de crescer e pedir perdão é o modo mais sublime de levantar.





Não atire flechas de críticas destrutivas em seu irmão:
auxilie-o a não errar novamente e a crescer construtivamente no amor,
na experiência e no conhecimento.
Determinação coragem e auto confiança são fatores decisivos para o sucesso.
Se estamos possuidos por uma inabalável determinação conseguiremos superá-los.
Independentimente das circustancias,devemos ser sempre humildes,recatados e despidos de orgulho.Na  procura de conhecimentos, o primeiro passo é o silêncio, o segundo ouvir, o terceiro relembrar, o quarto praticar e o quinto ensinar aos outros








sábado, 23 de julho de 2011

ESCOLHAS ...

ESCOLHAS ... 
Dê uma boa olhada ao seu redor, 

e entenda que sua vida agora mesmo 

é o resultado de todas 

as suas escolhas no passado. 

Você gosta do que vê? 

Certamente você andou muito para chegar até aqui. 

Você sobreviveu e deu um jeito de estar onde está. 

Existem coisas que poderiam melhorar? 

Provavelmente. 

Existem lugares que você gostaria de conhecer, 

coisas que gostaria de fazer? 

Você consegue imaginar a sua vida 

sendo ainda melhor, ainda mais gratificante 

e emocionante do que é hoje? 

Então, como chegar lá? 

Do mesmo jeito que chegou até aqui: 

como resultado das escolhas que você faz. 

Existem escolhas, e existem escolhas. 

Geralmente prestamos muita atenção 

às grandes decisões: faculdade, casamento, 

a primeira casa ou apartamento. 

Mas, freqüentemente, as decisões mais poderosas 

são as "pequenas", 

aquelas que fazemos um dia após do outro: 

fazer ou não mais uma visita, 

dar aquele telefonema, 

acordar mais cedo para fazer exercício, 

a atitude com que encaramos o dia a dia no trabalho. 

A qualidade da sua vida 

é um resultado direto das escolhas que você faz. 

E cada momento em sua vida é uma escolha. 

O futuro aproxima-se no mesmo ritmo de sempre. 

Então preste atenção nas suas escolhas, 

pois são elas que moldarão, 

ativamente, o resto da sua vida. 






Viver !!!

VIVER ... 



É ter consciência da realidade que se esconde atrás da aparência. 
É ver além dos cinco sentidos. É enxergar com os olhos da alma ... 
A vida  materializa nossos pensamentos. Conforme acreditamos, ela se torna. Cultivando medo, a falta de amor, o egoísmo e a descrença. Não é esse o caminho. As pessoas querem, mas suas atitudes revelam o oposto. 
Para receber é preciso primeiro dar.  Para atrair é preciso irradiar. Essa é a força da vida. 
Se Deus colocou tanta beleza, tanta vida, tanta alegria e perfume em simples flores, 
o que não terá feito com o Homem?!? 
Deus sempre faz o melhor. ELE nos deu beleza, sentimento, alegria, bondade e possibilidade de escolher. 
A dor, o sofrimento, a maldade, o ódio, a ignorância vem da nossa necessidade de perceber. 
Deus permite o contraste para que possamos enxergar claro. 
De que adiantaria acender uma luz na claridade? É nas trevas  que ela é percebida. 
Sem a tristeza, a alegria não seria apreciada, sem a carência a abundância não teria significado. 
Somos todos crianças na "escola da vida".  
Durante nossa "infância", precisamos experimentar para ganhar senso de   r e a l i d a d e ...
O sofrimento é pano de fundo para que o bem seja notado.  Baseado na perfeição de Deus: 
A natureza nos ensina isso. Basta olhar.  Não lhe parece que um Deus tão extraordinário, tão criativo, que colocou tanta beleza, tanto perfume na simplicidade de uma flor, que enfeitou nosso mundo com um céu tão azul,
um mar tão belo, tudo para nos fazer felizes, só nos destina  à FELICIDADE  e à  ALEGRIA ...  ( ?!?)
A dor serve para nos levar aos cuidados da preservação.  É um alerta que nos adverte que algo não está bem. 
Sem ela, não teríamos referencial.  
O CAMINHO QUE TE LEVARÁ À FELICIDADE COMEÇA  EM VOCÊ MESMO!!! 








sexta-feira, 22 de julho de 2011

TESTEMUNHO DE FÉ

Recebemos muitas
graças dos Orixás durante
nossa vida, temos imensos
testemunhos de que
eles estão presentes e têm
como nos auxiliar em tudo
que precisamos, seja no
material, espiritual, sentimental,
família e saúde.
E você que já recebeu
uma graça de um Orixá,
sendo financeira, espiritual
ou sentimental, que
tipo de gratidão você tem
com ele? O que eu estou
fazendo hoje para fortalecer
a minha fé no Orixá?
Será que é tudo venha a
nós e o vosso reino nada?
É muito simples e muito
fácil receber a graça
de um Orixá, sem dar um
agrado ou uma oferta e
ajudar a casa onde eles
moram, nós candomblecistas
sabemos da importância
deles em nossa
vida o que a essência e a
força da natureza fazem
por nós trazendo assim
a paz interior que tanto
procuramos e o amor que
tanto é nós dado por estes
seres que cuidam do
nosso caminho, a gratidão
é importante assim como
manter o lar dos nossos

santos, seja eles com uma
oferta ou uma ajuda financeira,
ou a presença
na casa de Candomblé e
a gratidão por aquele que
zela e cuida do nosso santo
e da à oportunidade de
ser fiel e viver constantemente
em busca da real
felicidade.
Vamos ser gratos a
quem nos cuida e cuidar
da nossa essência e
do nosso caminho assim
damos a oportunidade
de crescer em nossa Fé
e receber as graças por
aqueles que são responsáveis
pelo nosso caminho,
vivemos em um
momento em que temos
que estar perto e gratos
por aquele que não nos
deixa fazer mal, cuidam
da nossa vida e de nossos
caminhos, Não é só
pedir, mas também colaborar
com a morada de
nosso santo assim dando
condições de ele comer,
e trabalhar cada vez mais
pelo nosso bem estar.
Pense mais em quem
cuida de você, e colabore
mais para que isso
esteja presente em sua
vida e te abra cada vez

mais seus caminhos, seja
em qual setor da vida
você necessite mais.
Uma vez eu aprendi se
eu dou o meu melhor, eu
receberei o dobro de volta
e disso vocês possam
ter a certeza que o que
vocês dão com o coração
aberto e com Fé nada ira
faltar a vocês.


Bom dia á todos.



terça-feira, 19 de julho de 2011

Boa Noite !!!

Oi pessoal boa noite, segue mensagem de hoje, forte abraço .....

Babá Nino D'Odé.

A vida guarda a sabedoria do equilíbrio e nada acontece sem uma razão justa.
Apesar das aparências, tudo é para melhor e Deus está no leme. Envolvidos pelas emoções, temos dificuldades para entender isso. Confiar e esperar será sempre uma atitude sábia.
Assumir a responsabilidade por nossos atos, com coragem e disposição, nos coloca a favor da vida e ela nos apóia.
"A cada novo minuto você tem a liberdade e a responsabilidade de escolher para onde quer seguir mas é bom lembrar que tudo na vida tem seu preço"
A captação de energias é um fato, mesmo para aqueles que não acreditam nelas.A vida sempre coloca em nossa frente várias opções. A escolha é livre, mas, uma vez feita a opção, cessa nossa liberdade e somos forçados a recolher as consequências.
A justiça de Deus, é tão dvina que ensina a cada um de acordo com seus atos
"Você está onde se põe. É a lei da vida. Se você se colocar em um lugar melhor,sua vida mudará e coisas boas começarão a acontecer.A escolha está em suas mãos."



sexta-feira, 15 de julho de 2011

HOJE É SEXTAAAA !!!

Olá meus queridos leitores, Estou passando para lembrar que hoje é sexta feira rsrsrrs, desejo a todos um bom findar de tarde e um ótimo final de semana, que orisá ilumine vossos orís. Asé

quinta-feira, 14 de julho de 2011

MÃE MENININHA




MÃE MENININHA




Mãe Menininha
Há 88 anos, a mãe de Carmem, que fora batizada como Maria Escolástica da Conceição Nazaré e desde cedo recebeu a alcunha de Menininha, levava uma vida comum – embora rigorosamente dentro dos preceitos da religião – e também pensou que poderia fugir do destino. Casou, educou as filhas e fez fama como costureira. Quase esqueceu que ela tinha um plano e os orixás, outro. Antes de completar o primeiro ano de vida, sua bisavó materna, Maria Júlia da Conceição Nazaré, decidiu iniciá-la na religião.
Menininha foi “feita” aos oito meses de idade e, aos 28, tornou-se a terceira mulher do clã a assumir o comando do Gantois, após Pulchéria da Conceição, já que sua tia, Maria da Glória, morreu antes de terminar o luto, o que a impediu de ser confirmada ialorixá.
Anos mais tarde, Mãe Menininha revelou que, embora a bisavó, a tia e chefes da casa tenham lhe dito que ela iria servir aos orixás, sentia “um medo horroroso da missão”. “Era uma consciência absoluta do que me esperava: passar a vida inteira ouvindo relatos de aflições, doenças e lástimas e ter de ficar calada, guardar tudo pra mim, procurar a meditação dos encantados para acabar com o sofrimento. Tudo exige abnegação”, teria declarado a ialorixá ao extinto Jornal da Bahia em 1984.
Mas Mãe Menininha não fugiu ao seu destino e soube fazer valer a força das mulheres da família. Com o seu carisma, conseguiu tornar o Gantois o mais prestigiado e famoso terreiro do Brasil. “Ela foi uma das maiores autoridades religiosas do Brasil e teve como sucessoras mulheres inteligentes e dignas, líderes de peso de um segmento importante da nossa população”, afirma o professor Ordep Serra.
Existem atualmente, segundo a Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros, mais de 2.230 terreiros na Bahia. Para o antropólogo, o Gantois, como outros terreiros, tem muito poder. “É um poder religioso capaz de reunir adeptos que procuram, e encontram, remédio para suas aflições, apoio espiritual. Isso não é pouco“, diz.
No caso do Gantois, segundo Ordep, o carisma de grandes sacerdotisas contribuiu para ampliá-lo cumulativamente. “Este poder é também político, no sentido mais amplo do termo: capaz de gerar iniciativas sociais. Mas isso não significa que, no plano da gestão da coisa pública, o Gantois exerça influência decisiva, ou goze de privilégios, como às vezes se insinua. Bem ao contrário: o Gantois tem tido dificuldades para fazer valer seus direitos”, afirma.
Ordep Serra fala dos problemas que o terreiro enfrenta com a invasão do seu terreno. “O Gantois teve seu território mutilado, e mesmo a legislação que lhe protege o entorno foi, e é, desobedecida”. Segundo ele, “embora o Gantois seja, por força de lei, Área de Preservação Cultural e Paisagística do Município de Salvador, a garantia que este diploma legal lhe dá tem ficado apenas no papel”. Mãe Carmem evita falar sobre o assunto, que a aborrece.
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Poder e prestígio
Voltando à história do poder, não são poucos os políticos que se acostumaram a subir a íngreme ladeira do Alto do Gantois para pedir orientação às ialorixás da casa. Antonio Carlos Magalhães foi amigo pessoal de Mãe Menininha e chegou a declarar, certa feita, que os visitantes ilustres que chegavam à Bahia iam primeiro à Igreja do Senhor do Bonfim, depois ao Gantois e, por último, procuravam o governador, referindo-se a ele – governador na época.
Não se sabe ao certo se era bem assim. Mas corre à boca pequena que até mesmo os ex-presidentes da República Getúlio Vargas e João Goulart, além dos governadores Antônio Balbino, Juracy Magalhães, Lomanto Júnior e Roberto Santos bateram ponto lá. Dizem que o ex-governador paulista Adhemar de Barros, também.
Lenda ou verdade, Mãe Carmem evita falar sobre amigos ilustres, especialmente políticos. “Não precisa dar nomes. O Gantois é uma casa aberta a todos”, dá o assunto por terminado. Pelo visto, no Terreiro do Gantois, não apenas os segredos do culto afro estão guardados a sete chaves.
Mãe Carmem é muito discreta. Nem mesmo os nomes dos ogãs famosos (protetores do candomblé, com função de lhe dar prestígio e ajudar nas cerimônias sagradas) ela revela. “Os ogãs são da comunidade”, diz. Sabe-se, porém, que o publicitário Nizan Guanaes é um deles.
Outro assunto que desagrada à ialorixá é a intolerância religiosa. “Existe e sempre vai existir. Como o candomblé é mais forte, eles atacam”, diz, referindo-se às igrejas evangélicas. A Igreja Católica, Mãe Carmem, assim como sua mãe, adora. Tanto que as grandes comemorações do terreiro começam sempre com uma missa. “Me dou bem com os kardecistas, os católicos e até com alguns evangélicos. Acho importante o diálogo interreligioso”, defende.
Em 1986, o escritor Jorge Amado, amigo da casa, declarou à revista Veja: “No Gantois, Mãe Menininha conquistou ampla admiração pelo exercício de uma qualidade muito familiar aos políticos: era mestra no jogo de alternar a conciliação e a resistência. Nunca se rebelou contra o poder, seja do Estado ou da Igreja Católica, que apoiava a perseguição ao candomblé, mas também jamais se rendeu”.
A perseguição policial aos cultos aos orixás, aliás, passou longe do Gantois, mesmo nos tempos mais difíceis. Apesar da pressão, inclusive da imprensa, o terreiro nunca foi atingido, segundo relatam as escritoras Cida Nóbrega e Regina Echeverria no livro Mãe Menininha do Gantois – uma biografia(Editora Corrupio, 2006).
Na obra, há um relato da ialorixá sobre o tema: “A polícia jamais nos incomodou”. De acordo com as autoras, as seitas só podiam fazer suas obrigações com autorização do chefe de polícia, e o Gantois procurava atender a todas as exigências e resistiu graças à força de suas mulheres.
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Filhos famosos
Enquanto os filhos e filhas de santo andam para um lado e para o outro, enfeitando a casa para a celebração, Mãe Carmem resiste à ideia de ser fotografada para a reportagem. “Não tenho intimidade com câmeras. Se for de televisão, então, engasgo, transpiro e não consigo dizer uma palavra”, ri do que acaba de revelar.
A ialorixá, pelo visto, não herdou de Mãe Menininha a intimidade com os holofotes que renderam fama. No centenário de seu nascimento, em 1994, os Correios lançaram um selo comemorativo com sua foto. A boa relação com a mídia e personalidades contribuiu para tornar o Gantois o terreiro mais famoso do Brasil. A popularidade atraiu a atenção de políticos e artistas de todo o País e até de intelectuais brasileiros e estrangeiros.
A pesquisadora americana Ruth Landes, depois de uma temporada estudando o candomblé no Brasil, escreveu Cidade das mulheres, publicado nos Estados Unidos, em 1947, e no Brasil, em 1967, pela Civilização Brasileira. Na obra, a autora descreve Mãe Menininha como uma mulher independente, admirada e dona de si.
Além de ACM, que, pelo que consta, não chegou a ser “feito“ no terreiro, outras personalidades costumavam frequentar a casa. Jorge Amado, Pierre Verger, Carybé, Dorival Caymmi – que a homenageou com a Oração de Mãe Menininha, gravada por Maria Bethânia e Gal Costa nos anos 1970 –, Vinicius de Moraes e muitos outros. Bethânia e Gal, aliás, foram além. Ambas se tornaram filhas de santo da casa e seguem a religião até hoje.
Bethânia e Mãe Menininha
”Fui feita por Mãe Menininha em 1981. Caetano e eu, juntos. Porém conheci o Gantois, a casa do axé, pelas mãos de Vinicius (de Moraes) e Gesse (Gessy), então sua mulher e minha amiga; não lembro o ano, mas sei que foi bem mais cedo da data escolhida pela ialorixá para minha obrigação“, lembra Bethânia.
Seguidora fiel da religião, a cantora diz que o Gantois reafirmou tudo o que aprendeu com os pais. ”O Gantois é a casa do meu orixá, portanto a casa que também me acolhe. Vi reforçados ali os ensinamentos e valores que aprendi na casa dos meus pais: humildade, respeito, o sabor da alegria, a necessidade de louvar e agradecer a graça da vida, com suas dores e delícias. Também a confiança, a amizade, a fé, para mim, a base de tudo“.
Para ela, o Gantois é símbolo do que há de melhor no Brasil. “Tudo é belo ali: o som, a roupa, a comida, os cheiros… isso pra não falar dos rituais, que, esses, são segredos guardados pelos de sangue real“.
Assim como a irmã de santo, Gal exalta a importância do Gantois na sua vida. ”Fui iniciada por Mãe Menininha. É uma casa muito especial, um lugar sagrado. As pessoas estão ali para fazer o bem“.
Para Gal e Bethânia, que vivenciaram as gestões de Mãe Menininha e de Mãe Cleuza, a escolha de Mãe Carmem como sucessora foi acertada. ”É uma mulher maravilhosa, o Gantois não poderia estar em melhores mãos“, elogia Gal. Bethânia vai além: ”Ela faz o seu trabalho lindamente. É a guardiã da sempre viva luz que habita ali e nos guia, nós, os seus filhos“.
Em 1995, foi a vez de a cantora Daniela Mercury se iniciar na religião. Ela diz que chegou ao Gantois pelas mãos de Mãe Cleuza, de quem se tornou amiga e filhade santo. ”O Gantois é uma casa especial, e Mãe Carmem é muito amorosa, está sempre presente, atenta e cuidadosa“. Apesar de ter entre os mais de três mil filhos de santo muitas celebridades, Mãe Carmem refuta o rótulo de terreiro dos artistas. ”Aqui são todos iguais“.
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Oxaguian
Vaidosa, a filha de Oxaguian se rende, enfim, aos apelos da fotógrafa. Não sem antes dar uma retocada no visual, o que faz com a ajuda das filhas biológicas, Ângela Ferreira e Neli Silva, respectivamente iyakekerê e iyadagan da casa, os mais altos cargos do terreiro.
A iyakekerê é a mãe-pequena da casa; a iyadagan é a responsável pelas tarefas da cozinha. No caso das duas filhas da ialorixá, as atividades de cada uma vão muito além das funções religiosas. Ângela e Neli são as fiéis escudeiras da mãe e a tratam com um zelo que dá gosto de ver.
Mãe Carmem ajeita o torço na cabeça e ri timidamente para a câmera. ”Sorria, minha mãe. Olhe pra mim que a senhora fica feliz“, pede docemente Neli. Mãe Carmem obedece. Com a aparência cansada, queixa-se da noite mal dormida. ”Às vezes, fico a noite quase inteira acordada, pensando nos problemas“, diz, e logo esclarece: ”Não são meus. São dos outros“.
Uma filha de santo – estas tiveram os nomes preservados a pedido da ialorixá – complementa a revelação. ”Já cansei de chegar na cozinha, altas horas da madrugada, e encontrar minha mãe lá, sentada, pensando“, diz.
A preocupação é compreensível. Afinal, não deve ser fácil comandar uma casa com tantos filhos. São eles, juntamente com os simpatizantes e amigos do terreiro, que contribuem com trabalho e doações para manter o Gantois em funcionamento.
Apesar de ter sido tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Iphan), em 2002, o terreiro não recebe ajuda governamental. ”Vivemos das doações e trabalhos“, diz a iyakekerê Ângela Ferreira. Ela afirma que o Gantois não segue tabela de preços. ”As pessoas dão uma ajuda para a casa, se quiserem. Fica a critério de cada um“.
As despesas para manter a casa em funcionamento são grandes. Além da comida farta, o Gantois ajuda também a comunidade em seu entorno. Tão logo assumiu o comando da casa, Mãe Carmem reativou as ações sociais do terreiro.
Atualmente, são distribuídas mensalmente cerca de 240 cestas básicas, fixas, além de serem oferecidas oficinas gratuitas de inglês, música (percussão e flauta), artesanato, digitação, dança, dentre outras. Não só para os filhos da casa como para moradores da comunidade.
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Dinamismo e tradição
A despeito da resistência anterior, a ialorixá está longe de lamentar o destino. ”Apesar da missão, nunca fui tão amada como hoje. Isso é o alimento que me ajuda a cumprir a missão que me foi designada“. Uma das mais antigas filhas da casa, com mais de 60 anos de ”feita“, a Ebômim Lícia diz que Mãe Carmem é ”dinamismo sem perder a tradição“.
Após os afagos, ela abre o sorriso para a lente. Nessa hora se revela vaidosa. ”Adoro ser mulher“, diz. O cuidado com a vaidade, no entanto, não lhe rouba a atenção do feijão de Nanã. Muito menos das pessoas envolvidas no ritual.
E os ritos seguem. Após esta festa, será a vez da de Oxóssi, patrono do Gantois, no dia 3 de junho. Depois, a das Águas de Oxalá e, em seguida, a do Pilão de Oxaguian, santo da ialorixá. E assim tem sido no Gantois há mais de um século e meio. E assim, certamente, será. Motumbá